INTRODUÇÃO No ambiente hospitalar, a assistência promovida pelos profissionais da saúde tem como objetivo recuperar a condição cl...

Fisioterapia motora em pacientes internados na UTI: uma revisão sistemática



INTRODUÇÃO

No ambiente hospitalar, a assistência promovida pelos profissionais da saúde tem como objetivo recuperar a condição clínica dos pacientes, a fim de que eles possam retornar à realidade em que se inserem com qualidade de vida. No entanto, pacientes críticos, caracterizados por se encontrarem instáveis, com prognóstico grave, e sob alto risco de morte, representam outra realidade, na qual a meta da assistência está centrada na manutenção da vida do sujeito, muitas vezes sem estimativa de alta hospitalar.(1) Assim, a imobilidade, o descondicionamento físico e a fraqueza muscular acabam sendo problemas frequentes e que estão associados à maior incapacidade e à reabilitação prolongada.(2)

A fraqueza muscular do paciente crítico apresenta-se de forma difusa e simétrica, acometendo a musculatura estriada esquelética apendicular e axial. Os grupos musculares proximais geralmente encontram-se mais afetados que os músculos distais, com variável envolvimento dos reflexos tendinosos profundos e da inervação sensório-motora.(3) A polineuropatia do paciente crítico é bastante incidente em pacientes de unidade de terapia intensiva (UTI) submetidos à VM por mais de 7 dias, acometendo 25,3% dos pacientes.(4) Tal constatação é preocupante devido ao fato da neuropatia ser responsável por prolongar o tempo de VM e a permanência do sujeito na UTI.(5)

Vários são os fatores que podem contribuir para a ocorrência de neuropatias no paciente crítico, sendo os principais: idade avançada gênero feminino, diabetes mellitus, anormalidades metabólicas, hiponatremia, hiperuremia, hiperglicemia, uso prolongado de medicações (como corticoides, sedativos e bloqueadores neuromusculares), disfunção em dois ou mais órgãos, VM, elevado tempo de permanência na UTI e imobilismo.(6,7) O diagnóstico das disfunções neuropáticas é complexo e dificultado pelo nível de consciência dos pacientes, que, em muitos casos, encontra-se diminuído, por eles estarem sedados e inábeis para cooperar em testes e avaliações. Assim, torna-se necessário o uso de exames complementares para conclusão do diagnóstico clínico.(6)

Ainda não se dispõe de nenhuma terapia efetiva para tratamento da neuropatia no paciente crítico. Contudo, sob o enfoque multidisciplinar, já há indícios de efetividade no que se refere à abordagem fisioterapêutica, auxiliando na recuperação dos pacientes. Nessa realidade, além de "apenas tratar", os profissionais de saúdem devem utilizar medidas profiláticas para prevenir complicações osteomioarticulares no paciente, sendo que a aplicação de uma abordagem terapêutica múltipla, incluindo controle glicêmico rígido, nutrição adequada, mobilização precoce, sedação superficial, uso cauteloso de esteroides e bloqueadores neuromusculares, pode ajudar a garantir um melhor estado funcional dos sujeitos acometidos pela neuropatia do paciente crítico.(6-9)

Estudos atuais demonstram que mais atenção tem sido dada à mobilização precoce do paciente crítico, sendo considerada uma intervenção segura e viável após a estabilização cardiorrespiratória e neurológica do paciente, e que raramente provoca reações adversas. Utilizada por muitos fisioterapeutas, a mobilização precoce deve ser aplicada diariamente nos pacientes críticos internados em UTI, tanto naqueles estáveis, que se encontram acamados e inconscientes (sob VM), quanto naqueles conscientes e que realizam a marcha independente.(9,10) Contudo, apesar de evidências mostrarem que a mobilização precoce do paciente promova uma diminuição dos efeitos deletérios do imobilismo, proporcionando uma melhor evolução clínica dos indivíduos, alguns profissionais da saúde ainda se mostram receosos em mobilizar pacientes sob VM e acabam por restringir esses sujeitos à inatividade.(11-14) Alguns centros de saúde optam por iniciar tal terapia apenas após a alta do paciente da UTI, devido a desconhecimento de muitos profissionais que generalizam os pacientes críticos como sendo "muito doentes" para tolerar exercício físico na fase inicial do tratamento.(13-15)

Confrontando o raciocínio anterior, estudos indicam melhora de pacientes críticos submetidos à fisioterapia motora precoce. A melhora no estado funcional, com saída do leito e deambulação precoce, e a diminuição do tempo de permanência hospitalar, são indicadores positivos promovido pela abordagem motora.(9,10)

Alguns pesquisadores argumentam ainda que nem todos os riscos associados à mobilização precoce são bem definidos e que, apesar dos benefícios da fisioterapia em pacientes críticos terem sido constatados em alguns trabalhos científicos, ainda são escassos os estudos controlados e aleatorizados envolvendo um tamanho amostral representativo.(14,15) Reforçando esse argumento, ainda há divergências na literatura científica sobre o melhor tipo de atividade a ser aplicada no paciente crítico durante sua hospitalização, bem como a duração do tratamento e a frequência das atividades.

Na Biblioteca Cochrane não foram encontradas meta-análises e revisões sistemáticas da literatura que comprovem o benefício propiciado pela fisioterapia motora no paciente crítico adulto internado em ambiente de terapia intensiva. Desse modo, o presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura de forma a esclarecer os desfechos proporcionados pela realização de fisioterapia motora em pacientes críticos adultos assistidos em UTIs.

 

MÉTODOS

Identificação e critérios de seleção

A busca dos artigos envolvendo o desfecho clínico pretendido foi realizada nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem Online (MedLine/PubMed), Biomedical Answers (EMBASE) e Biblioteca Cochrane. Os artigos foram obtidos por meio das seguintes palavras-chave: "intensive care unit", "physiotherapy", "physical therapy", "mobility", "mobilization" e "randomized controlled trials", sob os descritores boleanos "and", "not" e "and not". Estudos adicionais foram identificados por pesquisa manual das referências obtidas nos artigos.

A busca de referências se limitou a artigos escritos em português, inglês ou espanhol, e publicados nos últimos 10 anos (2002 a 2011). Foram incluídos ao final da análise apenas os ensaios clínicos que abordaram a realização de fisioterapia motora em pacientes críticos adultos. Cartas, resumos, dissertações, teses e relatos de caso foram excluídos, bem como estudos que utilizaram modelos animais.

Avaliação da validade do estudo

Os artigos identificados na estratégia de busca tiveram seu título e resumo avaliados por dois pesquisadores de forma independente e "cega". Os estudos que contemplaram os critérios de inclusão foram avaliados pela escala Physiotherapy Evidence Database (PEDro).(16) Esse instrumento foi desenvolvido pela Associação Australiana de Fisioterapia e é reconhecido mundialmente na área. Ele visa quantificar a qualidade dos ensaios clínicos aleatorizados publicados, de forma a guiar os usuários sobre os aspectos meritórios de cada publicação e facilitar a identificação rápida de estudos que contenham informações suficientes para a prática profissional.

A escala PEDro avalia os ensaios por meio de 11 itens pré-estabelecidos. O primeiro item é um critério adicional e representa a validade externa (ou "potencial de generalização" ou "aplicabilidade" do estudo clínico), não sendo incluído no escore total da escala. Os demais itens analisam dois aspectos da qualidade do artigo: a validação interna (itens 2 a 9) e se o artigo contém informações estatísticas suficientes para que os resultados possam ser interpretados (itens 10 e 11). Esses itens são qualificados em "aplicável" ou "não aplicável", gerando um escore total que varia entre 0 e 10 pontos.(17)

De forma a buscar um rigor na qualidade metodológica dos artigos selecionados, os mesmos foram analisados e classificados como de "alta qualidade" quando alcançaram escore ≥4 pontos na escala PEDro, ou como de "baixa qualidade" quando obtiveram escore <4 na referida escala.(18)

Cabe salientar que a pontuação da PEDro não foi utilizada como critério de inclusão ou de exclusão dos artigos, mas sim como um indicador de evidência científica dos estudos.

 

RESULTADOS

Após a análise realizada por 2 pesquisadores, 59 artigos foram excluídos, por apresentarem duplicidade em bases de dados e não possuírem o delineamento metodológico a ser incluído. Conforme pormenorizados no fluxograma da Figura 1, na seleção final, foram incluídos apenas oito ensaios clínicos que contemplaram os critérios metodológicos estipulados para o desfecho pretendido.

 

 

A Tabela 1 contém informações a respeito dos escores obtidos pelos ensaios clínicos aleatorizados na escala PEDro. Conforme se pode observar, todos os estudos apresentaram critérios de elegibilidade, realizaram comparações intergrupos, assim como utilizaram medidas de precisão e variabilidade. Nenhum estudo realizou "cegamento" dos sujeitos e dos terapeutas, e quatro estudos (50%) realizaram "cegamento" dos avaliadores. Outro dado relevante é que em sete estudos (87,5%) havia semelhança inicial entre os grupos. Quanto à classificação na escala, 100% dos estudos obtiveram uma pontuação na PEDro ≥4 pontos, sendo classificados como de "alta qualidade", segundo os critérios de Van Peppen et al.(18)

 

 

Dos oito estudos inseridos, quatro abordam a utilização de eletroestimulação,(19-22) dois o uso de exercícios em cicloergômetro,(23,24) e dois cinesioterapia motora,(25,26) com exercícios de membros superiores e inferiores, funcionalidade, treino de atividades instrumentais e básicas de vida diária, mudanças de decúbito, equilíbrio, ortostatismo e deambulação (Quadro 1). O tamanho amostral variou entre 8 e 101 sujeitos, de ambos os gêneros, com média de idade variando entre 52 e 79 anos, submetidos à VMI. A homogeneidade dos grupos foi contemplada na maior parte dos estudos – exceção ocorreu no estudo realizado por Burtin et al.(24)

Ensaios clínicos envolvendo eletroestimulação apresentaram divergências quanto à modulação do aparelho e tempo de aplicação da técnica, sendo que um foi realizado tardiamente,(19) dois precocemente(20,22) e um associando a eletroestimulação precoce e tardia(21) (Tabela 2). Quanto aos dois estudos que utilizaram cicloergômetro, um empregou a técnica nos membros superiores dos pacientes de forma tardia(23) e outro nos membros inferiores de maneira precoce,(24) ocorrendo o mesmo com os ensaios que utilizaram cinesioterapia motora.(25,26)

 

 

Dos oito estudos, seis mostram benefícios significativos da aplicação de fisioterapia motora em pacientes críticos,(9,21,23-26) como melhora na força muscular periférica, respiratória, capacidade de exercício e funcionalidade, bem como aumento do tempo fora da VM. Apenas 2 estudos(24,26) avaliaram tempo de permanência do paciente em ambiente hospitalar, duração da VM/desmame e mortalidade após 1 ano. Burtin et al.(24) não constataram diferenças no tempo de desmame, tempo de permanência na UTI, e no desfecho clínico após 1 ano. Já o estudo de Schweickert et al.(26) constatou redução significativa na duração da VM do grupo que realizou fisioterapia motora (p<0,05), sem diferenças nas demais variáveis analisadas pelos pesquisadores.

 

DISCUSSÃO

As neuropatias e a imobilidade prolongada representam causas comuns de fraqueza muscular em pacientes críticos. A fisioterapia vem exercendo um papel importante na recuperação clínica desses indivíduos, trazendo benefícios funcionais. Em nosso estudo, que teve como objetivo analisar os desfechos propiciados pela fisioterapia motora em pacientes críticos assistidos em UTIs, observamos uma resposta benéfica proveniente do tratamento fisioterapêutico na população em questão, evidenciada por indícios metodológicos e estatísticos comprobatórios proveniente de ensaios clínicos publicados.(16)

Todos os artigos incluídos neste estudo foram considerados de "alta qualidade", por terem alcançado uma pontuação ≥4 na escala PEDro.(18) No entanto, é importante relatar que a pontuação obtida na referida escala não deve ser utilizada para comparar a qualidade dos estudos clínicos realizados, pois, em algumas áreas da prática fisioterapêutica, não é possível satisfazer todos os itens da escala, como, por exemplo, o "cegamento" dos sujeitos e examinadores. Conforme verificado em alguns estudos abordados nesta revisão, a impossibilidade de contemplar tais fatores está na característica da técnica abordada, e não em vieses metodológicos gerados pelos pesquisadores.

Os estudos inseridos nesta revisão demonstraram que a realização de fisioterapia motora (eletroestimulação, exercícios em cicloergômetro e cinesioterapia motora clássica) no paciente crítico representa uma intervenção segura, viável e bem tolerada pelos pacientes.(19,22,24,26) As reações adversas severas são incomuns; a necessidade de interromper a terapia é mínima (apenas na ordem de 4%) e, quando ocorre, é comumente associada a assincronia entre o paciente e o ventilador mecânico.(24-26) Nesta realidade, deve-se considerar que mobilizações agressivas não são recomendadas em indivíduos com instabilidade hemodinâmica e respiratória, cabendo à equipe a decisão sobre a viabilidade de se movimentar um paciente crítico de maneira precoce. Tal fato deve levar em consideração, de um lado, os riscos provenientes de tal mobilização e, de outro, os vastos efeitos deletérios ocasionados pela imobilidade prolongada do paciente no leito, como a perda de massa muscular, que tende a aumentar com o tempo de forma exponencial com a internação hospitalar (tendo o ápice de perda muscular ocorrido nas primeiras 2 semanas de imobilização, justificando ainda mais a importância de se iniciar precocemente a abordagem fisioterapêutica).(7,8)

Dentre as atividades realizadas pela fisioterapia motora em UTI citam-se mudanças de decúbito e posicionamento no leito, mobilização passiva, exercícios ativo-assistidos e ativo livres, uso de cicloergômetro, eletroestimulação, treino de atividades de vida diária e funcionalidade, sedestação, ortostatismo, marcha estática, transferência da cama para cadeira e deambulação.(7) Todas essas atividades foram realizadas nos ensaios clínicos incluídos na presente revisão.

Cabe lembrar que os pacientes estudados encontravam-se submetidos à VM invasiva, sendo as anormalidades neuromusculares adquiridas na UTI comuns nesta população, visto que a VM prolongada é considerada fator de risco independente para o desenvolvimento de fraqueza muscular grave, além de promover prejuízo no desempenho funcional do sujeito.(25) Um estudo coorte prospectivo, realizado em 4 hospitais, detectou fraqueza muscular severa em 25% dos pacientes críticos submetidos à VM por mais de 1 semana.(4) Chiang et al.(25) demonstraram forte correlação entre o tempo livre da VM e o desempenho funcional do paciente.

Muitas vezes, nas UTIs, o uso de sedação e a VM são considerados obstáculos para os programas de reabilitação, pois muitos profissionais ainda se mostram receosos em mobilizar pacientes sob VM, e acabam por restringir esses sujeitos à inatividade.(11,23) Apesar disso, deve-se considerar que podem ser utilizadas técnicas que não requeiram cooperação do paciente, como a eletroestimulação neuromuscular, que, mesmo quando aplicada nos músculos periféricos, tendem a promover ativação periférica e ativação cortical.(27) Sobre a eletroestimulação, o cicloergômetro e a cinesioterapia motora como propostas de intervenção, cabe uma discussão mais detalhada.

Eletroestimulação

Pôde-se constatar que, dentre os estudos que utilizaram a eletroestimulação, obtiveram resultados satisfatórios aqueles realizados tardiamente, com pacientes mais crônicos e debilitados, visando ao aumento da massa muscular.(19,21) Zanotti et al.(19) compararam um protocolo de exercícios ativos apendiculares à eletroestimulação, em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica grave, acamados e sob VM prolongada, e constataram que o grupo que recebeu a eletroestimulação conseguiu um aumento significativamente maior da força muscular quando comparado a participantes do grupo controle.

O ensaio clínico duplo-cego realizado por Gruther et al.(21) avaliou o efeito da eletroestimulação em dois grupos de pacientes: 1) precoce, visando à prevenção de perda de massa muscular; 2) tardia, objetivando a reversão da hipotrofia muscular de pacientes de longa permanência em UTI. Ambos os grupos foram divididos em subgrupos de intervenção e controle. Foi evidenciada diminuição significativa da espessura da camada muscular do grupo que recebeu a intervenção precocemente (em ambos os subgrupos), demonstrando que a eletroestimulação não preveniu a perda de massa muscular. Já no grupo que recebeu eletroestimulação tardia, o subgrupo intervenção apresentou um aumento significativo da massa muscular quando comparado aos sujeitos controles.

Os estudos que avaliaram o efeito da eletroestimulação precoce, visando à prevenção da hipotrofia muscular, demonstraram que sessões de eletroestimulação durante os primeiros dias de internação de pacientes críticos não conseguiu evitar a perda de massa muscular.(20,22) No entanto, no trabalho desenvolvido por Gerovasili et al.,(20) o decréscimo foi significativamente menor no grupo submetido à intervenção, porém, o valor basal da espessura muscular foi maior no grupo controle quando comparado ao grupo intervenção, o que reduz a comparabilidade direta entre os grupos e pode explicar porque o grau de perda de massa muscular em valores absolutos foi significativamente maior no grupo controle. A imobilização, mesmo quando em curto período de tempo, promove um estado catabólico para o músculo, resultando em significativa perda de massa muscular e diminuição da força,(28) que ocorrem mais acentuadamente durantes as 3 primeiras semanas de internação/imobilização.(8) Talvez isso possa explicar o fato de a eletroestimulação não ter afetado a perda de massa muscular quando aplicada precocemente em pacientes críticos.

Nos ensaios analisados, a perda de massa muscular do músculo quadríceps nas primeiras semanas de permanência na UTI variou de 16 a 40%, não sendo afetada pela aplicação diária de eletroestimulação.(21,22) A correlação entre a intensidade da eletroestimulação e a gravidade da doença mostra que a excitabilidade do tecido muscular pode ter sido afetada pela gravidade da doença, pois doenças mais graves podem induzir disfunções da membrana muscular comprometendo sua excitabilidade e aumentar o catabolismo, acentuando a perda de massa muscular e afetando potencialmente o estímulo anabólico da eletroestimulação.(22)

Deve-se considerar que a diversidade entre os protocolos de eletroestimulação encontrados e os métodos de avaliação limita a comparação direta entre os estudos. Não há consenso quanto à modulação ótima, de forma a promover contrações fortes com um mínimo de fadiga muscular.(22)

Exercícios em cicloergômetro

Na presente revisão, entre os estudos que utilizaram atividades com cicloergômetro, um abordou a técnica em membros superiores tardiamente e um para membros inferiores precocemente, sendo que ambos demonstraram desfechos positivos nos indivíduos que realizaram o treino em cicloergômetro, como o aumento na capacidade de exercício e da força muscular de membros inferiores.(23,24)

Porta et al.(23) demonstraram que a adição de exercícios de cicloergômetro de membros superiores à fisioterapia convencional, em pacientes sob VM prolongada, aumenta a capacidade de exercício, e reduz a sensação de fadiga muscular e percepção de dispneia. Na população estudada a força muscular respiratória basal foi associada a uma maior probabilidade de melhora na capacidade de exercício, demonstrando os benefícios da intervenção precoce em pacientes críticos internados em UTIs.

O estudo de Burtin et al.(24) investigou se a realização diária de exercícios em cicloergômetro para membros inferiores iniciada precocemente seria eficaz na prevenção ou atenuação da perda da performance funcional, do status funcional e da força de quadríceps. Os pesquisadores observaram um aumento significativo da capacidade de exercício, da autopercepção do estado funcional e da força de quadríceps dos indivíduos que realizaram o tratamento fisioterapêutico, quando comparados a sujeitos controles. Os dados obtidos demonstraram ainda que a força muscular apresenta correlação positiva com a autopercepção do estado funcional do paciente e com a distância deambulada na alta hospitalar, sendo a deambulação independente maior no grupo que realizou cicloergômetro.(24) Tal fato é de grande relevância, pois a marcha independente é considerada pelos pacientes uma meta importante para o retorno para casa.(9)

A comparação dos estudos demonstra que os exercícios em cicloergômetro, aplicados em membros superiores ou inferiores, realizados precocemente ou tardiamente, promoveram melhoras na capacidade de exercício e força muscular da população estudada. No entanto, deve-se salientar que os mesmos foram realizados concomitantemente à fisioterapia motora convencional, demonstrando que essa modalidade de exercício pode ser usada de forma complementar, visando melhorar a performance funcional do exercício em indivíduos internados em UTI.

Cinesioterapia motora

Chiang et al.(25) avaliaram a aplicação durante 6 semanas de um programa de treinamento físico que incluía fortalecimento de membros, atividades funcionais e deambulação, em pacientes sob VM prolongada, comparando-os a pacientes controles; os autores constataram que houve aumento significativo da força muscular de membros e da função respiratória nos indivíduos submetidos ao tratamento fisioterapêutico. Em contrapartida, a força muscular periférica e respiratória foi piorando nos sujeitos do grupo controle, no decorrer de 6 semanas, sugerindo que a imobilização é uma importante causa de fraqueza muscular em pacientes que requerem VM prolongada. Os achados demonstraram ainda que a funcionalidade motora dos pacientes sofreu diminuição nos grupos intervenção e controle, comprovando que a imobilidade do paciente crítico traz consequências funcionais graves aos pacientes. Porém, após a aplicação da abordagem motora, os escores funcionais aumentaram significativamente no grupo submetido à fisioterapia, merecendo especial destaque a deambulação, visto que, inicialmente, todos os sujeitos eram incapazes de deambular e que 53% dos indivíduos foram capazes de deambular de forma independente ao final da intervenção.(25)

É sabido que a internação em UTI promove queda acentuada da qualidade de vida dos indivíduos. Estudos indicam que a recuperação da qualidade de vida, da capacidade física, da saúde geral e da saúde social dos pacientes é incompleta, mesmo após 6 meses de alta hospitalar.(27-29) O trabalho desenvolvido por van der Schaaf et al.,(30) que avaliou o estado de pacientes dentro da primeira semana de alta da UTI, mostrou um pobre estado funcional, sendo a maioria dos sujeitos (67%) totalmente dependente nas atividades de vida diária, e que 30% apresentavam problemas cognitivos. Na presente revisão, os estudos de Chiang et al.(25) e Schweickert et al.(26) mostraram melhoras da função cognitiva nos pacientes que realizaram fisioterapia motora. No estudo de Chiang et al.,(25) todos os sujeitos submetidos à fisioterapia obtiveram melhora nos escores cognitivos, enquanto que, no estudo de Schweickert et al.,(26) o tempo na UTI com delirium foi menor. Tais características demonstram que a fisioterapia motora em pacientes críticos não promove apenas benefícios funcionais, mas também estimula a ativação cognitiva.

Schweickert et al.(26) investigaram a eficácia da interrupção diária da sedação com a fisioterapia precoce sobre a funcionalidade de pacientes críticos submetidos à VM comparados a um grupo controle. O retorno ao estado de independência funcional na alta hospitalar foi significativamente maior no grupo da intervenção, sendo idade, ausência de sepse e fisioterapia precoce variáveis associadas com o sucesso na aquisição de funcionalidade.

Garnacho-Montero et al.(5) estabeleceram em seu estudo que a polineuropatia do paciente crítico aumenta significativamente o tempo de VM e é considerada fator de risco independente para o insucesso do "desmame" (p<0,001). A VM prolongada é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de fraqueza muscular grave e consequente prejuízo no desempenho funcional.(4,25) A VM gera fraqueza muscular e diminuição da funcionalidade, que ocasionam dificuldade de desmame dos pacientes. Tais sujeitos permanecerão ventilados mecanicamente e imobilizados por mais tempo, gerando, assim, um ciclo vicioso, que pode ser minimizado com a realização de fisioterapia motora. A atividade motora em pacientes críticos promove melhoras na força muscular respiratória, bem como aumento do tempo fora da VM, diminuindo a duração da VM.(25,26)

No estudo de Martin et al.,(3) foi observada correlação significativa entre a força muscular dos membros superiores e o tempo de desmame da VM, sugerindo que pacientes submetidos a períodos prolongados de VM sofrem significativa fraqueza muscular global que limita sua capacidade de desmame e de realização das atividades da vida diária. Portanto, há indícios de que a força muscular de membros superiores é um simples mas significativo preditor do tempo de desmame.

Os resultados encontrados possibilitam inferir que a realização de atividades motoras precoces no paciente crítico é um caminho mais adequado, visto que o atraso para iniciar a fisioterapia pode ocasionar fraqueza muscular e descondicionamento grave, com limitação das atividades funcionais, prolongando o tempo de VM e limitando o nível de desempenho final que um paciente pode alcançar.

 

CONCLUSÕES

A análise metodológica realizada neste estudo comprovou que vários trabalhos abordam a ação da fisioterapia motora em pacientes críticos, mas poucos ensaios clínicos formados por dois grupos independentes e distribuídos randomicamente.

A fisioterapia motora demonstrou ser uma terapia segura e viável, e que pode minimizar os efeitos deletérios da imobilização prolongada no leito. Os desfechos mais utilizados no paciente crítico envolveram as técnicas de eletroestimulação, cicloergômetro e cinesioterapia motora, tendo todas apresentado respostas positivas no paciente sob terapia intensiva. O nível de evidencia atualmente disponível a cerca do impacto da ação da fisioterapia motora sobre tempo de permanência na unidade de terapia intensiva e mortalidade ainda é baixo sendo necessários novos estudos.

 

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Autores:

Alessandra Rigo PinheiroI; E-mail: ale_rigo@hotmail.com

Gustavo ChristofolettiII

IPrograma de Residência Multiprofissional em Saúde, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS - Campo Grande (MS), Brasil
II
Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS - Campo Grande (MS), Brasil; Programa de Pós-Graduação Stricto Senso em Saúde e Desenvolvimento da Região Centro-Oeste - Campo Grande (MS), Brasil

Não é porque o verão chegou que a tosse não é um assunto importante. Seja ela crônica ou aguda, o sintoma é incomodo que atinge todas as...

Tosse constante é um alerta de que os pulmões estão mal



Não é porque o verão chegou que a tosse não é um assunto importante. Seja ela crônica ou aguda, o sintoma é incomodo que atinge todas as idades e precisa ser levada a sério. "A tosse não é uma doença, e sim um sinal de que algo está irritando as nossas vias aéreas ou nossos pulmões", diz a pneumologista Iara Fikcs, do Hospital São Luiz.

Muitas vezes, só a força que fazemos para tossir é o suficiente para trazer complicações. Em idades extremas, ou seja, para as crianças e para os idosos, a tosse pode desencadear uma série de contusões. "Durante um ataque de tosse, as pessoas com mais idades ou as crianças podem forçar excessivamente os músculos que atuam na respiração, ou até mesmo quebrar uma costela ou tirar algum órgão do lugar por terem o organismo mais frágil", explica a médica. 

Tosse

Fatores externos
Uma casa empoeirada pode ser um dos motivos de ataques de tosse frequentes. "Quando estamos em um ambiente com muito pó ou outras partículas que irritam nosso sistema respiratório, os ataques de tosse se tornam muito mais comuns", diz Iara Fiks.

Esse tipo de problema acontece muito quando passamos por frentes frias. Com a baixa temperatura, as pessoas têm o instinto de fechar todas as janelas da casas, impedindo a circulação do ar e causando o acúmulo de poeiras.

Mas esse tipo de problema não acontece apenas no inverno. "O cada vez mais usado ar condicionado aumenta as chances de ataques de tosse por irritar os pulmões e deixar o ambiente mais seco", explica a pneumologista. 

Tosse

De acordo com a especialista, produtos de limpeza, perfumes e incensos com odores muito fortes também entram na lista negra dos fatores que contribuem para a irritação das vias aéreas.

Normalmente esse tipo de tosse dura menos do que três semanas, e é chamado de tosse aguda. Para amenizar os ataques desse tipo de tosse, além dos medicamentos prescritos pelo seu médico, como xaropes, vale a pena investir no mel e no própolis, além de frutas e sucos ricos em vitamina C.

Uma receita caseira que pode ajudar a combater uma tosse aguda é a mistura de mel de eucalipto com gotas de própolis. O mel ajuda na expectoração e diminui a irritação da garganta. O própolis é anti-inflamatório e ajuda a tratar agressões nas vias pulmonares.

Mas vale um alerta: as pessoas diabéticas devem evita o mel, pois é rico em açúcares, assim como crianças menores de um ano de idade. 

Em 95% dos casos, as lesões dos tecidos pulmonares são irreversíveis, mesmo que o paciente tenha parado de fumar.

Fuja do cigarro
Para os fumantes fica o aviso da especialista: a fumaça do cigarro prejudica a qualidade de vida de todos os moradores da casa. "Não é apenas o fumante, mas todas as pessoas que convivem com ele, estão mais propensas a ter o pulmão irritado ou desenvolver doenças que causam tosses", diz Iara Finks.

A presença do cigarro na rotina traz problemas principalmente para os mais novos. Um estudo feito pela Sociedade Brasileira de Cefaleia comprova que filhos de mulheres que fumaram durante a gestação têm 2,5 vezes mais chance de ter dor de cabeça crônica diária na infância.

Outra pesquisa ainda diz que entre 20% a 30% dos fumantes desenvolvem a DPOC - doença que une bronquite e enfisema - após os 40 anos, sendo que alguns estudos sugerem que as mulheres são mais suscetíveis aos efeitos nocivos do cigarro do que os homens.

As crises respiratórias são causadas geralmente por infecções bacterianas ou virais, como explica a pneumologista. No período das crises, os pacientes sentem piora da falta de ar, fadiga, aumento da tosse crônica e da produção de catarro. Em 95% dos casos, as lesões dos tecidos pulmonares são irreversíveis, mesmo que o paciente tenha parado de fumar por muito tempo. 

Fumar

Quando a tosse não passa
Se a tosse dura mais do que três semanas, ela passa do quadro agudo para o quadro crônico. "Quando uma pessoa está a tanto tempo tossindo, é preciso procurar um médico para diagnosticar o problema e resolvê-lo enquanto isso", explica Iara Fiks.

A tosse pode ser o sintoma de uma série de doenças, desde as mais comuns como gripe, resfriado e alergia, como algumas mais sérias como tuberculose e até mesmo câncer de pulmão.

"Algumas doenças podem ser diagnosticadas a partir da presença, cor e textura do catarro ou de algum chiado no pulmão. Uma tosse carregada de catarro pode ser um sinal de uma doença mais séria, e é preciso procurar um médico o quanto antes", alerta a pneumologista.

"Um aviso importante é não ficar mais de três semanas tomando remédios para tosse, sejam eles caseiros ou comprados na farmácia, sem procurar um médico. Essa atitude pode estar mascarando uma série de problemas respiratórios que, se fossem tratados precocemente, poderiam ser curados sem grandes problemas", diz Iara Fiks.  

Confusão com engasgo
Muita gente pensa que durante uma crise de tosse por engasgamento, bater nas costas de uma pessoa para tentar ajudá-la vai resolver o problema.

Um ataque de tosse é muito facilmente confundido com um engasgo. "O famoso tapinha nas costas não funciona quando estamos tossindo, e pode ser até perigoso para quem está com algo realmente preso na garganta", diz a pneumologista Iara Fiks, do Hospital São Luiz.

O mesmo discurso serve para líquidos. Oferecer um copo de água para uma pessoa com ataque de tosse não irá trazer alívio, e pode até fazer a pessoa engasgar de verdade, ficando ainda mais sem ar. 


A fisioterapia respiratória surgiu em 1901, quando se relatou o benefício da drenagem postural no tratamento da bronquiectasia. Nessa época,...

Como surgiu a Fisioterapia Pneumofuncional



A fisioterapia respiratória surgiu em 1901, quando se relatou o benefício da drenagem postural no tratamento da bronquiectasia. Nessa época, a tomada de decisão na clínica diária baseava-se em estudos científicos em sua maioria realizados com métodos rudimentares, no conhecimento fisiopatológico das doenças, em experiências pessoais e em informações obtidas através de livros e opiniões de professores ou peritos.

Esse modus operandi certamente não responde às necessidades do profissional de saúde de hoje em dia. Seja para aqueles que seguem explicitamente os "paradigmas" da medicina baseada em evidências, seja para os que atuam de maneira diversa, a pesquisa evoluiu e a informação científica cresceu nos últimos anos de forma tal que o médico, fisioterapeuta ou outro profissional da área, necessita de uma postura crítica e atualizada no que diz respeito às intervenções que utiliza.

A fisioterapia respiratória tem como objetivo a remoção de secreções das vias aéreas, reduzindo a obstrução brônquica e a resistência das vias aéreas, facilitando as trocas gasosas e reduzindo o trabalho respiratório. Em afecções agudas, visa a encurtar o período de doença ou de repercussão funcional. Em processos crônicos, visa a retardar sua progressão ou mantê-los estacionados.

O tratamento do empiema pleural, segundo os livros-texto de Pediatria e de Pneumologia Pediátrica, consiste em medidas de suporte, antibioticoterapia voltada para os germes prevalentes e drenagem pleural. Não há, no entanto, recomendações para o uso de fisioterapia respiratória. Uma revisão recente sobre fisioterapia respiratória em pediatria não incluiu o empiema como indicação. Todavia, verifica-se na prática diária que grande parte das crianças e adolescentes com a afecção utilizam este recurso. Com base nestas observações, os autores efetuaram uma revisão sistemática da literatura sobre a eficácia da fisioterapia respiratória no empiema pleural.

Pneumonias Caracterizada por uma inflamação aguda do parênquima pulmonar de qualquer natureza, envolvendo os alvéolos e vias cir...

Quatro principais Doenças Respiratórias



  • Pneumonias

Caracterizada por uma inflamação aguda do parênquima pulmonar de qualquer natureza, envolvendo os alvéolos e vias circundantes. As vias de contaminação podem ser inalatórias, aspiratória (conteúdo via oral ou gástrico) e hematogênica (viral ou bacteriana).
Os principais sintomas das pneumonias podem ser: febre, calafrios, vômitos, dores generalizadas, tosse de início seca com progressão para tosse produtiva, cefaléia e fraqueza.
O tratamento da pneumonia é baseado em antibioticoterapia, antiinflamatório, broncodilatadores, hidratação, dieta hipercalórica e repouso.
A fisioterapia respiratória é baseada em inaloterapia; oxigenioterapia, se necessário; drenagem postural; manobras de higiene brônquica; estímulo de tosse ou aspiração; cinesioterapia respiratória.

  • Enfisema Pulmonar

O enfisema pulmonar se enquadra no grupo de Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC), que são caracterizadas por uma obstrução ou limitação crônica ao fluxo aéreo. No enfisema ocorre aumento anormal e permanente dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, acompanhado de destruição de suas paredes, resultando numa limitação as trocas de oxigênio por dióxido de carbono. Ocorre ainda o aumento dos espaços aéreos não acompanhados de destruição da parede, o que é chamado de hiperinsuflação.
A principal causa do enfisema é o tabagismo, mas existe ainda a causada pela deficiência da enzima alfa1-antitripsina, que é uma enzima produzida nos pulmões.
No início, o paciente apresenta falta de ar apenas aos grandes e médios esforços, e numa fase mais avançada, a falta de ar aparece nas tarefas mais simples e nos pequenos esforços. As manifestações clínicas só aparecem quando pelo menos um terço do parênquima pulmonar encontra-se incapacitado; são elas: dispnéia, tosse, sibilos (mais freqüentes em fumantes), perda de peso, tórax em tonel, movimentos respiratórios limitados, expiração prolongada, ruidosa e com tiragens.
O tratamento do enfisema é baseado em aliviar os sintomas do doente e prevenir a progressão da doença. Podem ser usados corticóides ou broncodilatadores, via oral ou inalatória. A Fisioterapia vai trabalhar de acordo com a fase em que o paciente se encontra, na fase hospitalar ou na fase de reabilitação pulmonar. Na fase hospitalar pode ser trabalhado com Ventilação Mecânica Não-Invasiva ou até mesmo Invasiva, oxigenioterapia, manobras de higiene brônquica, preservação ou ganho da função osteomusculoarticular. Já na fase de reabilitação pulmonar, deverá ser trabalhado com o indivíduo a reeducação respiratória e atividades aeróbias, para que o mesmo aprenda a usar sua energia de forma eficiente, de maneira que ocorra um menor gasto de oxigênio.
A prevenção do Enfisema é parar de fumar, e evitar a exposição à poluição ambiental.

  • Bronquite Crônica

A Bronquite Crônica encontra-se presente em qualquer indivíduo que apresente tosse persistente e produção de escarro durante pelo menos, três meses em, pelo menos, dois anos consecutivos. Quando persistente durante vários anos, a Bronquite pode estar associada à uma doença obstrutiva crônica, resultar em Cor Pulmonale e Insuficiência Cardíaca.
A principal manifestação é a tosse produtiva que dura 3 meses por ano, durante 2 anos consecutivos. Ocorre espessamento da parede brônquica, aumento e maior viscosidade do muco, alteração nas pequenas vias aéreas e diminuição da atividade ciliar.
O tratamento é baseado em aliviar os sintomas do doente e prevenir a progressão da doença; uso de medicamentos e oxigenioterapia. O tratamento é bem parecido com o do Enfisema, uma vez que ambos são DPOC, porém na Bronquite Crônica deve-se dar mais ênfase em manobras de higiene brônquica para mobilizar secreções, exercícios respiratórios para auxiliar na expiração e ajudar a melhorar a mecânica respiratória.

  • Asma

É considerada uma doença inflamatória crônica, que resulta em hiperresponsividade das vias aéreas. É uma doença incurável, que evolui com crises quando um indivíduo sensível é submetido a um estímulo nas vias aéreas. Há uma imediata ativação de células inflamatórias e liberação de mediadores. Como conseqüência, há contração da musculatura lisa dos brônquios, hipersecreção da mucosa e edema das vias aéreas.
Os sintomas principais da Asma são: dispnéia, desconforto torácico, tosse, ruídos no peito conhecidos como sibilos ou chiados. A asma pode ser classificada em: intermitente, leve persistente, moderada persistente e grave persistente.
Em relação às causas da doença, podemos dizer que uma provável tendência genética faz com que alguns indivíduos reajam exageradamente a fatores que existem normalmente no meio ambiente. A esta resposta exagerada chamamos de hiperreatividade brônquica e os fatores que desencadeiam as crises asmáticas são chamados de desencadeantes. Os desencadeantes mais comuns são: fatores alérgicos, infecções respiratórias, exercício físico, substâncias irritantes, medicamentos, emoções ou estresse, alimentos, mudança de clima e gravidez.
O objetivo medicamentoso é a reversão do broncoespasmo (medicamento de alívio), e a prevenção de novos surtos agudos por meio da redução de hiperreatividade brônquica e da inflamação das vias aéreas (medicamentos de controle – corticóides).
A fisioterapia na asma se divide em dois momentos, na crise e no período intercrise. Durante a crise o tratamento se resume em repouso, posicionamento, exercício de freno labial e para broncoespasmo. No período intercrises, o tratamento consiste em: educação do paciente sobre a doença e orientações de higiene domiciliar; exercícios de freno labial e para broncoespamo; trabalhar a postura do paciente (alongamentos, RPG, pompages, etc.); relaxamento (massagens, eletroterapia, rolo quente); reeducação respiratória, ensinando o paciente a respirar com o diafragma; condicionamento físico.

  • Tuberculose

É uma doença grave, transmitida pelo ar, que pode atingir todos os órgãos do corpo, em especial os pulmões. O microorganismo causador da doença é o bacilo de Koch.
O indivíduo que entra em contato pela primeira vez com o bacilo de Koch não tem, ainda, resistência natural, mas adquire. Se o organismo não estiver debilitado, consegue matar o microorganismo antes que este se instale como doença. Após um período de 15 dias, os bacilos passam a se multiplicar facilmente nos pulmões, pois ainda não há proteção natural do organismo contra a doença. Se os sistemas de defesa não conseguir encurralar o bacilo, instala-se a tuberculose primária, caracterizada por pequenas lesões (nódulos) nos pulmões.
O avanço da doença começa a provocar sintomas mais graves. De pequenas lesões, os bacilos cavam as chamadas cavernas (necrose do tecido), que costumam inflamar com freqüência e sangrar. Nesse caso, a tosse não é seca, mas sim com pus e sangue (hemoptise).
Os sintomas são: tosse crônica, febre, suor noturno, dor torácica, perda de peso lenta e progressiva.
A prevenção usual da tuberculose é a vacina BCG, aplicada nos primeiros 30 dias de vida. Se houver a contaminação, o tratamento consiste na combinação de três medicamentos (antibióticos): rifampicina, isoniazida e pirazinamida (esquema TRÍPLICE). O tratamento dura em torno de 6 meses.
O tratamento fisioterapêutico consiste em: manobras de higiene brônquica, flutter, inalação, com soro fisiológico, posicionamento no leito, exercícios respiratórios, caminhadas e mudanças de decúbito são importantes para mobilizar secreções.


Os exercícios respiratórios já conquistaram seu espaço na medicina. São amplamente utilizados nos tratamentos de diversas patologias. ...

Benefícios do Exercício Respiratório e do TMI (Treinamento da Musculatura Inspiratória)



Os exercícios respiratórios já conquistaram seu espaço na medicina. São amplamente utilizados nos tratamentos de diversas patologias.

Fáceis de serem realizados e quando bem aplicados não possuem efeitos colaterais. Muitos são os benefícios:

  • Incentivam respiração profunda e diafragmática (que é o tipo de respiração mais fisiológica);
  • Melhoram a expansibilidade pulmonar e a mobilidade torácica;
  • Permitem reversão de colapso pulmonar (reversão de atelectasias);
  • Otimizam as trocas gasosas (com consequente aumento da oxigenação);
  • Reduzem as complicações pulmonares nos períodos de pós-operatórios;
  • Promovem bom condicionamento respiratório no pré-operatório de diversas cirurgias permitindo as pessoas realizarem as cirurgias com maior segurança;
  • Previnem quadros de infecções respiratórias;
  • Manutenção dos volumes e capacidades pulmonares de pessoas que ficam acamadas;
  • Fortalecem a musculatura respiratória (reabilitação pulmonar, levando a melhora da qualidade de vida- ex: portadores de DPOC);
  • Aliviam a dispnéia (falta de ar);
  • Auxiliam na eliminação das secreções pulmonares (evitam o acúmulo de secreções traqueobrônquicas);
  • Diminuem o trabalho respiratório;
  • Minimizam os efeitos deletérios do envelhecimento sobre o sistema respiratório.

Exercícios respiratórios no Pré e Pós - Operatório de cirurgias cardíacas, torácicas e abdominais
As complicações pulmonares são freqüentes no pós-operatório de qualquer cirurgia, porém procedimentos cirúrgicos cardíacos, torácicos e abdominais quando comparados a outras cirurgias apresentam uma probabilidade maior do surgimento dessas complicações. Por isso devemos melhorar a performance respiratória antes dos procedimentos cirúrgicos.

No Pré-operatório o objetivo é a melhora do quadro respiratório (principalmente dos portadores de doenças pulmonares e/ou cardíacas e tabagistas) para um pós-operatório mais tranqüilo. Realizamos exercícios respiratórios, para melhorar a expansibilidade pulmonar, aumentar a mobilidade torácica, fortalecer a musculatura respiratória e otimizar as trocas gasosas. Todos os exercícios visam preparar o sistema respiratório para que a cirurgia ocorra com tranqüilidade e sem danos ou complicações para os pacientes.

No pós operatório os exercícios são fundamentais, para fazer a prevenção das complicações respiratórias. São indicados para promover respiração profunda e incentivar a respiração diafragmática, melhoram a expansibilidade pulmonar, evitar os quadros de colapso pulmonar (atelectasia), revertem os quadros de atelectasias, otimizam as trocas gasosas evitando e/ou reduzindo o uso de oxigênio e auxiliar na eliminação das secreções pulmonares.

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